Cesariana

 

A cesariana na cadela e na gata é geralmente um procedimento de emergência, pois a distocia prolongada coloca em risco as vidas da mãe e/ou dos filhotes. A cirurgia pode ser planejada e realizada antes do início do trabalho de parto, se houver a ocorrência de distocias devido a presença de lesões ou anormalidades preexistentes que comprometam o canal do nascimento. A cirurgia é indicada quando a distocia resulta de uma inércia uterina primária (útero sem contrações), ou inércia uterina secundária decorrente de distocia de mais de 24 horas, distocia obstrutiva (feto muito grande).

Existem casos em que a cesariana pode ser programada. Fique por dentro alguns deles:

  • Número pequeno ou muito grande de filhotes - Uma vez que a fêmea possuir, por exemplo, apenas um filhote ou um número acima da média do esperado para a raça, pode não ocorrer o parto. Isso acontece devido à falta de estímulo, quando for um só feto, ou por exaustão do útero, por estímulos demais quando o número de fetos for muito maior do que o normal.
  • Fêmeas bem jovens ou senis - Fêmeas que acasalaram no primeiro cio ou senis (velhas) podem ter problemas na contração uterina no momento do parto.
  • Animais de raças susceptíveis - Certas raças de cães possuem características anatômicas que podem dificultar o parto normal. A grande maioria são os braquicefálicos, exemplos: bulldog, bulldog francês, boston terrier, pug e pequinês.
  • Fêmeas com antecedentes de parto distócico - Normalmente, as cadelas que já tiveram um parto com complicações, ou até o anterior foi cirúrgico, têm a tendência a repetir este quadro outra vez.
  • Fêmeas com alterações que possam dificultar o parto - Uma fêmea que possui uma alteração na pelve (bacia) ou via fetal mole (cérvix, vagina ou vulva) com estreitamento do diâmetro das mesmas pode ter dificuldade na passagem dos fetos.
  • Sofrimento fetal - Caso seja detectado que os fetos estão prontos e maduros e, no momento esperado do parto, inicia-se sofrimento fetal por algum motivo.
  • Ausência de assistência veterinária - A fêmea pode estar situada em local onde não tenha assistência veterinária rápida para auxiliar no parto. Pode-se então realizar a cirurgia para que a mesma não tenha um parto sem assistência e não coloque em risco a sua vida e nem a dos filhotes.

    Deve-se lembrar que o procedimento não é como em mulheres onde é marcado um dia e um horário certo. No caso das cadelas, a data provável do parto é calculada, a fêmea é monitorada diariamente e quando apresentar sinais da proximidade do início do parto é realizada a cesariana. A sobrevida tanto da mãe como dos filhotes depende muito do diagnóstico deste momento ideal, da habilidade do cirurgião e equipe, do tipo de anestesia que é utilizada bem como cuidados imediatos com o neonato.